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Na 31ª entrevista da série, o Tramp conversou com o jovem cantor pernambucano Almério Rodrigo Menezes Feitora, um músico do tipo mais talentoso que existe e que lançou recentemente o seu primeiro e homônimo disco de estreia, Almério, com 14 faixas.

Na medida necessária para mostrar ao mundo o porquê veio, o álbum foi produzido por Lucky Luciano, que também participa com a bela composição de “Na Velocidade”, e conta também com as delicadas e sempre surpreendentes composições do mestre Lula Queiroga, Valdir Santos, Dani Torres, Vertin Moura e Ícaro Tenório. Ouça “São João do Carneirinho” e leia:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?

A: Quando era ainda menino, deitado numa almofada grande que ficava perto da radiola, lá na minha casa em Altinho (PE), eu escutei a música “Esquadros”, de Adriana Calcanhotto, pela rádio e senti algo que me transformou por dentro. Mais tarde, Ana Paula Marinho, minha vizinha na época e a quem eu dedico meu primeiro disco, me mostrou uma música dela no violão. Dali em diante eu não tive mais dúvida do que eu queria para minha vida.

Se você não fosse músico, o que seria?

A: Se eu tiver de fazer outra coisa para sobreviver, eu faço mesmo, mas não me imagino outro! Sou um ser cantante, gosto de atravessar meus dias aqui, cantando, fazendo música, sendo um operário dela.

Compor para você é?

A: Me aproximar do divino, do imenso em mim e no mundo!

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?

A: Na verdade sofro muito quando demoro para compor, mas espero o tempo bom de inspiração, não forço. Um ritual que eu tenho é passear com meus cachorros no sítio do meu avô, até me perder, para buscar silêncios e levezas esquecidas.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?

A: Quando pequeno eu fui Michael Jackson na escola, depois virei aborescente, aí Cazuza. Depois veio Cássia Eller e Maria Bethânia.  Ainda há pouco quis ser Dominguinhos. Hoje, não quero ser outra coisa que não seja Eu! Tá tão bonzinho ser Eu, risos!

Uma música que você queria ter escrito?

A: São tantas… “Esquadros”, da Adriana Calcanhotto; “Fera Ferida”, do Roberto e Erasmo Carlos; e “Assum Preto”, do Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Quais são suas principais referências?

A: Acho que citei aqui alguns dos artistas que me influenciam, mas é muita coisa! Uma influência pesada é a Banda de Pífano de Caruaru, a digital percussiva que eles imprimem no mundo é única.

Qual o seu disco nacional preferido?

A: Digo logo que é impossível citar apenas um, vamos lá: Âmbar, da Maria Bethânia; Com Você Meu Mundo Ficaria Completo, da Cássia Eller; Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão, da Marisa Monte; Transa, do Caetano Veloso; Jardim Elétrico, d’Os Mutantes; A Fábrica do Poema, da Adriana Calcanhotto; Olho de Peixe, do Lenine; Pelo Sabor do Gesto, da Zélia Duncan; Todo Dia É o Fim do Mundo, do Lula Queiroga; e Bloco do Eu Sozinho, do Los Hermanos.

E o internacional?

A: Roseland NYC Live, do Portishead, e Hail to the Thief, do Radiohead.

Para você o que a MPB representa?

A: Tudo que eu aprendi veio da MPB, eu não ouvia outra música que não essa, e esse termo abraça e dialoga com tantos estilos, e eu acho isso muito bom e muito rico, porque música é simples-psicodélica-fantasticamente isso!

O que os fãs do Almério podem esperar no futuro?

A: Poxa vida, eu nem sei direito! Eu tenho fãs é? Que legal, risos! Não tenho noção ainda do que vai acontecer, meu primeiro disco vem frutificando e me dando muitas alegrias, a exemplo disso é estar aqui respondendo essas 11 perguntas do Tramp, que artistas que eu tenho acompanhado já responderam! Eu tô aproveitando o momento, mas já pensando no próximo disco. Mas o que as pessoas podem esperar é meus show pelas bandas daí! Nunca fiz show fora de Pernambuco, sonho com esse momento.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.