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Na 36ª entrevista da série, o Tramp bateu um papo com Bonifrate, projeto de Pedro Bonifrate (Supercordas) que começou pelos brejos de Parati (Rio de Janeiro) com um gravador magnético de quatro canais, onde gravou alguns singles e o EP independente Sapos Alquímicos na Era Espacial, em 2002.

Depois de vários álbuns lançados, entre eles o cultuado Um Futuro Inteiro e Museu de Arte Moderna, Bonifrate começou 2014 com um novo trabalho, o EP Toca do Cosmos, que inclui uma regravação da faixa “Seqüelagem”, além de quatro releituras de amigos compositores. Produzido, gravado e mixado por Bonifrate no Estúdio Móbile do Refresco Elétrico entre 2012 e 2013, o disco conta com a participação de Diogo Valentino, Marcos Thanus e Alexander Zhemchuzhnikov. Ouça e leia:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
B: Quando eu flutuava apertado em líquido amniótico. Mas, alguns anos depois, me lembro de pedir mais e mais audições de um daqueles discos 7″ coloridos para crianças do musical Pedro e o Lobo, do Serguei Prokofiev, aos meus pais. Depois disso vieram Beatles, Syd Barrett e tudo mais.

Se você não fosse músico, o que seria?
B: Além de músico, eu já sou historiador, e com isso ganho sustento. Mas também já fui um projeto de quadrinista. Quem sabe astronauta ou arqueólogo como todas as crianças se imaginam no futuro?

Compor para você é?
B: Testamento. Desmaterializar o corpo social corruptível em algo existencialmente mais sólido, íntegro e sublime.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
B: Não. Canções chegam de um lugar nebuloso, inescrutável. Começam pequenas, unicelulares às vezes. O processo que leva uma célula ao tecido e daí ao ser vivo completo não é diferente daquele do romancista ou do pedreiro, mas a canção já existia antes de tudo isso. Ela é composta no momento em que a primeira faísca acende. Combustão espontânea. E aí não existe processo. Só revelação.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
B: Eu mesmo um pouco mais intrépido.

Uma música que você queria ter escrito?
B: “Desolation Row”, do Bob Dylan.

Quais são suas principais referências?
B: Pico della Mirandola, Karl Marx, Mikhail Bulgakov, Syd Barrett, Ednardo e Aristóteles.

Qual o seu disco nacional preferido?
B: Talvez o Som Imaginário, de 1970.

E o internacional?
B: Rings Around the World, dos Super Furry Animals.

Para você o que a MPB representa?
B: Uma sigla boba, referente a pessoas que tiveram seu ápice artístico há 40 anos e que continuam enriquecendo e ganhando prêmios por isso.

O que os fãs do Bonifrate podem esperar no futuro?
B: Mais discos. De Bonifrate, provavelmente só no ano que vem. No momento estamos rascunhando sons novos com Supercordas, e estou produzindo algumas coisas pra outros artistas.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.