Crédito: Alessandra Fratus

Crédito: Alessandra Fratus

Na 30ª entrevista da série, o Tramp conversou com o cantor e compositor Bruno Batista, músico nascido em Recife, mas criado em São Luís, que lançou no início do ano o seu terceiro e mais recente disco, , com 11 canções de sua autoria.

Apresentando uma mistura de MPB com samba e influência pop, o álbum foi produzido pelo baterista Guilherme Kastrup em parceria com o guitarrista Rovilson Pascoal e contou com a participação do sempre talentoso Rodrigo Campos. Entre as faixas, destaques para “Pois, Zé”, “Incêndio”, “Lá” e “Rosa dos Ventos”, que ganhou um clipe com a presença da cantora Dandara. Assista:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
BB: Meu contato com a música deu-se, inicialmente, através dos discos do meu pai. Ele era um grande colecionador e as minhas primeiras lembranças já estão relacionadas com o que ele ouvia em casa. Por outro lado, também pertenço a uma família de músicos. Sou sobrinho de um grande compositor piauiense, Naeno, cresci em meio a saraus, shows, havia sempre um violão por perto, um discussão qualquer sobre música, enfim, foi um caminho muito natural pra mim.

Se você não fosse músico, o que seria?
BB: Queria ser cineasta, mas não me dou muito bem com a câmera.

Compor para você é?
BB: Um exercício de auto-conhecimento e um tentativa de falar ao coração das pessoas.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
BB: Não possuo método, mas há uma certa cronologia: sempre parto da melodia que, em geral, nasce mais facilmente. Depois vem a ideia, a construção da letra que é um processo mais laborioso e mais prazeroso também.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
BB: Acho que um percussionista como o Naná Vasconcelos, por exemplo.

Uma música que você queria ter escrito?
BB: “Queda”, do Luciano Salvador Bahia.

Quais são suas principais referências?
BB: Acho que nossas referências vão se modificando à medida que nos transformamos. Tenho ouvido muito Apanhador Só, Emicida, Rodrigo Campos, os meus contemporâneos. Mas minhas referências também vêm do cinema, da literatura… Cassavetes ou Guimarães Rosa, por exemplo, são grandes influências.

Qual o seu disco nacional preferido?
BB: São tantos… Mas pra ficar com um: Das Barrancas do Rio Gavião, do Elomar.

E o internacional?
BB: Atualmente o Songs of Love and Hate, do Leonard Cohen.

Para você o que a MPB representa?
BB: A música brasileira, pra além da MPB, é a base da minha formação. O mais legal é observar o poder com que ela se renova, se adapta, não adianta dizer que vai acabar, que já acabou. Nossa música é o espírito de um povo e isso tem muita força.

O que os fãs do Bruno Batista podem esperar no futuro?
BB: Espero fazer mais discos, mais shows, colocar minha música na roda. Mas este ano ainda quero produzir um musical infantil e tocar um projeto de grupo, ainda incipiente, com outros compositores.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.