Danilo-Moraes

Na 34ª entrevista da série, o Tramp conversou com o cantor e compositor paulistano Danilo Moraes, filho de Wandi Doratiotto, vocalista e violonista do grupo Premê, além de apresentador do programa Bem Brasil. Buscando cada dia mais se consolidar no novo cenário da MPB, Danilo já lançou cinco discos, sendo o mais recente de 2011, Danilo Moraes e os Criados Mudos. E atualmente apresenta o projeto “Forró Quentinho”, que tem como objetivo difundir e divulgar a obra do grande mestre Jackson do Pandeiro.

O último trabalho de Danilo ainda conta com parcerias de peso, como Chico César, Zeca Baleiro, Rodrigo Campos, Giba Nascimento, Thalma de Freitas, Anelis Assumpção, entre outros. Confira no vídeo abaixo o clipe da música “Criado Mudo”, que abre o disco:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
DM: Lá em casa sempre teve música o tempo todo, então desde antes de nascer eu já estava imerso. Minha mãe fala que quando estava grávida de mim e eu estava me mexendo muito, ela punha disco do Clube da Esquina na vitrola e eu ficava mansinho… Aí eu nasci e meu pai ficava estudando violão enquanto cuidava de mim. Era Paulinho Nogueira, Dilermando Reis e tudo o mais. E depois eu passei a ir nos shows do Premê. Dizem que o primeiro que fui, eu tinha 20 dias. Meus pais tomaram muita bronca por isso!

Se você não fosse músico, o que seria?
DM: Se eu não fosse cantor, seria guitarrista, se não fosse guitarrista, seria baterista, acho… Uma época eu quis fazer arquitetura. Ficava em casa fazendo plantas de casas num bloco de papel milimetrado que eu tinha, mas isso foi antes dos 11 anos, quando comecei a aprender piano e depois violão. Aí não quis mais outra coisa.

Compor para você é?
DM: O meu trabalho e a minha diversão.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
DM: As minhas músicas normalmente partem de uma ideia no violão ou na guitarra, mas já fiz música só cantando e depois procurei o que o violão faria. Gosto de musicar letras já prontas e gosto de partir do nada. Se tem um tema, um ritmo ou uma levada, facilita porque com limites a gente já parte de um ponto mais certeiro e vai que vai. Por encomenda é uma beleza, flui mais fácil. Gosto de desafios, de puxar meu próprio tapete e fazer música de um jeito que nunca fiz.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
DM: É pra pegar pesado? Paul McCartney serve… Moacir Santos também.

Uma música que você queria ter escrito?
DM: “Último Desejo”, do Noel Rosa e Vadico.

Quais são suas principais referências?
DM: Sem ordem de importância, João Gilberto, Beatles, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Caetano, Gil, Djavan, Chico Buarque, Premê, Rumo, Wes Montgomery, Miles Davis…

Qual o seu disco nacional preferido?
DM: Elis & Tom, álbum musical de Elis Regina e Antônio Carlos Jobim (não vou pensar muito pra não enlouquecer em dar a resposta correta).

E o internacional?
DM: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Para você o que a MPB representa?
DM: Toda a música feita no Brasil. Infelizmente tem muita gente com preconceito com esse rótulo hoje em dia.

O que os fãs do Danilo Moraes podem esperar no futuro?
DM: Tenho muitos discos ainda pra gravar, muita música para por pra fora! Eu mesmo espero conseguir ter tempo e saúde pra seguir fazendo. Não quero parar. E quero evoluir… é relativo esse lance de evoluir. Espero que gostem do que eu chamarei de evolução!

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.