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Na 29ª entrevista da série, o Tramp bateu um papo com o cantor e compositor carioca Fernando Temporão, ex-integrante do grupo de samba Sereno da Madrugada, que em novembro de 2013 lançou o seu primeiro disco, De Dentro da Gaveta da Alma Gente, produzido por Kassin e Alberto Continentino.

Feito de forma independente, o álbum apresenta uma atmosfera pop e traz canções que nitidamente foram construídas em cima dos fatos do cotidianos. Com todas as faixas assinadas pelos músicos, os destaques são “Bambolê”, “O Que É Bonito”, “Cá Pra Nós”, que conta com participação de Domenico Lancelloti. Ouça e leia a entrevista:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música? 
FT: O primeiro contato é de berço. A casa dos meus pais respirava música, meu pai tinha (e ainda tem) uma enorme coleção de LPs e também tocava violão. Então, dentro de casa eu tinha discos e instrumentos desde sempre. Aos 11 anos de idade comprei um violão e aprendi a tocar.

Se você não fosse músico, o que seria?
FT: Psicólogo, arquiteto e/ou engenheiro de som.

Compor para você é?
FT: Compor é respirar. É, para mim, um movimento primordial, necessário e inevitável. É a forma como eu sei me expressar, falar sobre as coisas e com as pessoas. Fazer música é uma forma de ser mais humano, de contribuir com o todo através da beleza.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
FT: Nada específico. Costumo pegar o violão e ficar tocando qualquer coisa. Em algum momento pinta uma ideia, que será desenvolvida nos dias seguintes… Às vezes na hora mesmo a música vem pronta.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
FT: Eu já quis ser todos aqueles que eu amo: Chico, Caetano, Tom Jobim, Paul, o Bob Marley e o Cartola. Mas essa coisa de ser outro na verdade é justamente a construção do eu. A soma das influências e do ‘querer ser’ faz a gente ser o que é.

Uma música que você queria ter escrito?
FT: “Choro Bandido”, do Chico Buarque e Edu Lobo.

Quais são suas principais referências?
FT: Meus pais, o violão, a beleza dos sons, das imagens, minha mulher e minha Clara. O amor, a saudade e o café. Bob Marley, Tom Jobim e The Beatles.

Qual o seu disco nacional preferido?
FT: Na impossibilidade de serem centenas e, ainda, no mesmo patamar de uns tantos outros, A Tábua de Esmeralda, do Jorge Ben.

E o internacional?
FT: Exodus, do Bob Marley.

Para você o que a MPB representa?
FT: Vejo como uma sigla que representou uma turma importante que, a partir dos anos 60, simboliza a música brasileira nas rádios, novelas, no exterior e nos grandes business. Caetano, Jorge Ben, Tom, Milton, Chico, Djavan, Tim Maia, Gil, Ivan Lins e etc. MPB simboliza, para mim, música muito boa. Mas acho que é uma sigla defasada, equivocada e datada demais pra explicar ou rotular a música brasileira contemporânea.

O que os fãs do Fernando Temporão podem esperar no futuro?
FT: Olha, eu lancei meu primeiro disco solo em novembro de 2013 é tudo muito, muito recente pra mim como artista solo e como indivíduo. Eu estou muito surpreso com tudo o que tem acontecido e a forma como esse disco tem reverberado por ai. Nesse ano tem muita coisa nova pra acontecer, no segundo semestre sai o LP com musica inédita, tem projetos coletivos e videoclipe novo feito pela querida Ava Rocha… Tô trabalhando pacas e o que vier, virá feliz.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.