Leza (Crédito: divulgação)

Ponderado, justiceiro, apaziguador e indeciso. É com base nesses adjetivos principalmente que se caracteriza o perfil do signo de Libra, cujo símbolo é uma balança. A partir dessa dualidade da vida, daquilo que se sente – e nem sempre se compreende – entre o bom e o ruim, o certo e o errado, o dia e a noite, foi que a banda paulistana Leza criou Vice-versa, seu álbum duplo de estreia, com 14 faixas que versam sobre os dois lados intrínsecos a tudo que nos circunda.

A vida cotidiana, o amor e outras situações da vida comum são tratadas pela banda dos amigos – e librianos – Gustavo Athayde e Gallo de uma maneira solta, leve, viajando sobre melodias psicodélicas e levemente pop, a partir de composições simples e diretas. Em entrevista para o Tramp, Athayde desenvolve outras ideias a cerca do álbum, comenta sobre a escolha por um lançamento neste formato duplo e outras novidades mais.

Você e o Gallo são fissurados nessas questões astrológicas ou o tema ao redor do signo de Libra despontou naturalmente? De onde veio essa concepção para amarrar o disco todo numa só narrativa?

GA: Foi bem naturalmente, conheci o Gallo como cliente em minha oficina de luthieria, ele morava no mesmo bairro, passamos a se trombar com frequência até que vagou um quarto em minha casa e ele foi morar junto comigo, foi quando começamos a compor coisas juntos nos momentos de leseira. Até que surgiu uma oportunidade de tocar num festival na Argentina através do convite de um amigo de lá, bastava mandar as músicas e elas serem aprovadas. Gravamos duas músicas e enviamos, a curadoria aprovou, ganhamos as passagens e hospedagens e isso acabou dando um gás para gravar mais coisas e começar a banda, quando vimos tudo que registramos percebemos que tinha um conceito todo amarrado, já praticamente pronto, só faltava desenvolver uma narrativa, mas já estava tudo ali, 14 músicas em vibes espelhadas umas das outras, feito por mim (destro na guitarra) e por ele (canhoto na guitarra), até isso já estava pronto por decisão do universo, risos.

Hoje em dia discute-se muito o formato “álbum” e a maneira como se passou a ouvir/encarar um trabalho neste formato. Ainda mais sendo lançado numa versão digital, as pessoas mais do que nunca ouvem um disco do jeito que querem, na ordem aleatória ou pulando faixas. E nisso vocês chegam com um disco duplo. Como bancar essa escolha? E como espera e acredita que os ouvintes vão receber esse trabalho?

GA: Nós chegamos a pensar nesse lance de hoje em dia os artistas optarem mais por lançamentos mais diluídos, pois é arriscado lançar um disco extenso na era do streaming. Porém, optamos por usar outras estratégias, umas delas foi lançar singles e clipes antes de lançar o álbum. No período de um ano foram quatro singles no total, que acabou abrindo portas pra circular entre o Brasil, Argentina e Estados Unidos, testando as músicas ao vivo, formando público e deixando várias pontes feitas para quando o disco fosse lançado. Agora já temos vários lugares para voltar e uma galera que já estava esperando pelo lançamento. Quanto ao que gente espera como eles vão receber, acreditamos que a arte tem que ser feita pela arte, claro que é sempre bom se adaptar ao mercado, mas o mais importante é fazer de coração e botar fé na sua obra.  No nosso caso foi assim que aconteceu, já estamos praticamente com outro disco pronto para gravar, não conseguiríamos segurar essas músicas por muito mais tempo, as outras já estão batendo na porta.

Tanto você quanto o Gallo já tem uma experiência na cena independente com projetos e bandas anteriores. Quais aprendizados você sente terem levado desse histórico pro trabalho atual da Leza?

GA: Com certeza aprendemos muitas coisas em nossos trabalhos anteriores. É aquela coisa né, o show são apenas 40 minutos, comparado a todo o corre que precisa ser feito. Aprendemos muito sobre como usar ferramentas nas redes (apesar de ainda rolarem varias lesadas), aprendemos como traçar rotas inteligentes para turnês, como se portar na estrada, sobre importância de ter um bom merch, de fortalecer a cena das bandas da sua cidade, o básico sobre captação de áudio para nós, que não estávamos com grana pra bancar um estúdio, são muitas coisas debaixo do iceberg. No meu caso, Cabana Café e Bike foram escolas na minha vida, um baita aprendizado sobre como funciona a engrenagem, trabalhar com pessoas que já tinham mais experiência nesse ramo foi essencial.

Vice-versa saiu sob a cobertura de alguns selos. Pode contar mais sobre cada uma dessas parcerias?

GA: Os selos Cena Cerrado e Onça Discos foram parcerias que fizemos durante nossas turnês, o Cena Cerrado é de Uberlândia-MG e Onça Discos de Curitiba-PR, são parceiros que fizemos na estrada através da música e que sempre somam com a gente. O Alcalina Records é um selo novo de São Paulo-SP, que foi fundado fazem alguns meses pelo Rafa Bulleto, que tocava comigo no Bike (hoje Neptunea) e o Chico Lebolz (Fluhe), são eles quem estão cuidando de nossa distribuição digital nas plataformas. A ideia é fazer intercâmbio de bandas entre os selos, eles se conversarem também, e tudo virar um grande composé de bandas parceiras, troca de contatos, uma soma geral.