Linna Karo (Crédito: Gal Oppido)

Linna Karo é paulistana. Essa afirmação, simples e pontual, poderia ser uma breve descrição de sua origem territorial. Mas é também bem mais que isso: diz respeito à sua obra e suas conexões. Desse tipo viajante, Linna já morou em diferentes cidades brasileiras durante a infância e adolescência, tendo vivido nos últimos anos no interior de Minas Gerais. Recentemente voltou para sua cidade mãe, São Paulo, onde reencontrou a si mesma por meio da música – e traduziu num disco inédito este reencontro com a cidade.

Aos Mesmos, atualmente em fase de produção e com um financiamento coletivo em aberto, chega como um tratado de reaproximação de Linna com a metrópole. “O disco tem um cenário bastante paulistano, traz claras referências à Lira Paulistana e aos Mutantes, tanto no uso da palavra e na abordagem teatral, quanto na sonoridade e nas investidas por novos formatos de canção”, explica a cantora. “Mas não repito os mesmos (e por isso o título Aos Mesmos, enquanto dedicatória e provocação), quando reuni composições minhas e de amigos, adentrei na observação dessas novas emissões e novos temas, para entender um conceito e estampar uma outra cara na música paulistana”, conclui.

A Tramp entrevistou Linna pra entender melhor dessas ideias todas e o resultado desse bate papo você confere agora:

Linna conta pra gente como você começou na música.

L: Desde sempre foi uma mistura, nunca fui só da música, e hoje é pra mim uma busca o constante atravessamento das linguagens. Quando criança eu me fantasiava todo dia e me ligava muito em figuras performáticas, Charlie Chaplin, Jerry Lee Lewis, com 10 anos eu já era fã fanática dos Mutantes. Na adolescência, Kurt Cobain e Jim Morrison me influenciaram muito. Eu tocava guitarra e também estudei violão clássico pra prestar música, mas além de intuir que seria uma faculdade careta pra mim, eu já amava imensamente minhas aulas de dança, teatro e escrevia compulsivamente. Só a música não bastava. Fiz Artes Cênicas na USP e um pessoal da música me chamou pra cantar Itamar Assumpção. Virou uma grande pesquisa pra mim, sobre música cênica. E hoje percebo minha produção como continuidade nessa história paulistana, do viés teatral na música, partindo de Mutantes até Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e toda Lira Paulistana, essas são minhas principais referências.

Você abriu um financiamento coletivo para produção do seu novo álbum. Qual a melhor parte de abrir um projeto desse? E a pior, se tiver?

L: A divulgação é com certeza a melhor parte, entrar em contato com muitas pessoas diversas e receber retornos interessantes, positivos, surpreendidos. A pior parte é enfrentar um período especificamente difícil para estar com uma campanha de financiamento, ter que pedir várias vezes, coisa que não gosto de fazer. Não sou insistente, prefiro mostrar meu trabalho ao máximo, lançando vídeos, singles, fazendo shows, paras pessoas notarem e então ajudarem.

Nas músicas que você já tem divulgadas, nota-se um claro posicionamento político de sua parte, nada de ficar em cima do muro. É um posicionamento que impulsionou a sua obra ou foram letras e sentimentos que partiram do próprio exercício artístico?

L: Eu sempre estive conectada à política, meus pais se conheceram fazendo teatro no partidão, quando entrei na USP fui muito agitadora do movimento estudantil, virei militante, estudei muito Marx, Hegel, Trotsky, Lenin, Brecht… Não sou mais aquela pessoa, mas carrego tudo comigo, tento ampliar o leque de cores e formas de acessar as pessoas e os pensamentos através da arte. Rejeito totalmente qualquer produção artística partidária ou didática. Minha linha hoje é outra, sou fã da inteligência, da inquietação e da abertura. Não quero dogmatismos, não quero dualismos simplistas tão pouco. Respondendo a pergunta: é tudo ao mesmo tempo, o exercício artístico acontece no momento da composição, acontece na condição política diária que vivemos, acontece na conexão que tenho com amigos artistas, e quando ouço suas composições, e então organizo suas composições junto às minhas e percebo um conceito, uma unidade, e faço disso um disco.

O que podemos esperar de Aos Mesmos em termos de sonoridade e temáticas? Algumas referências pra gente já ir preparando os ouvidos aqui?

L: O disco tem um cenário bastante paulistano, traz claras referências à Lira Paulistana e aos Mutantes, tanto no uso da palavra e na abordagem teatral, quanto na sonoridade e nas investidas por novos formatos de canção. Mas não repito os mesmos (e por isso o título Aos Mesmos, enquanto dedicatória e provocação), quando reuni composições minhas e de amigos, adentrei na observação dessas novas emissões e novos temas, para entender um conceito e estampar uma outra cara na música paulistana.

Quais os próximos lançamentos e novidades de Linna para 2018?

L: Eu lancei o clipe “Eles Nus” [veja acima] na semana retrasada e essa semana irei lançar o clipe “Desvios de Luz”. No término da minha campanha, dia 26/10, lançarei mais um single. Depois pretendo me concentrar mais nos preparativos do lançamento do disco que será no início do ano que vem.

Ajude Linna a conseguir produzir seu disco! Colabore aqui: https://www.catarse.me/linnakaro