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Na 28ª entrevista da série, o Tramp conversou com Marcelo Perdido, cantor e compositor carioca que acaba de lançar o álbum Lenhador, além de disponibilizar um clipe para a faixa “Pendura”. Fugindo do esteriótipo pop/folk presente em sua ex-banda, a Hidrocor, o músico experimenta novos caminhos em canções com acordes delicados e letras que exploram as expectativas e frustrações de jovens adultos.

O disco foi produzido por João Erbetta e Felipe Parra, e ainda conta com as participações especiais de Laura Lavieri, Peter Mesquita, Marcelo Effori, Paulo Chapolim e o americano Pete Curry. Ouça o álbum na íntegra:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
MP: Acho que como quase todo mundo: na infância. Meu pai deu para mim e meu irmão uma vitrola pequena, era o smartphone da época.

Se você não fosse cantor, o que seria?
MP: Se eu não pudesse ou conseguisse cantar, queria saber tocar piano de um jeito bem bonito, acho que seria equivalente em prazer e satisfação.

Compor para você é?
MP: Tentar me comunicar com os outros, falo mais das letras, já que escrevo sempre primeiro algum verso e depois fico juntando os acordes que sei para sustentar aquelas palavras. É sempre da vontade de contar alguma coisa, seja uma ideia ou um história. Compor é algo legal para caramba.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
MP: Acho que não, mas hoje em dia sempre anoto primeiro os versos no bloco de notas do celular, depois gravo eu cantarolando a melodia no gravador de voz do celular (por normalmente estar longe do violão quando alguma música pinta). Ai quando chego em casa começo a tentar juntar as coisas, e ver se realmente dá para ir em frente com aquela ideia, muitas vezes deleto a gravação de voz e o arquivo de notas, por achar que não valia uma música.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
MP: Acho que o Caetano. Não dá para não ser clichê nessa resposta. Mas o Caetano passou por muitas fases legais, fez um monte de coisas admiráveis, mas também fez algumas coisas que eu não faria. Sei lá né… “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Uma música que você queria ter escrito?
MP: Várias, eu fico arrepiado com música, com letras. Tem tantas. Eu gostaria de ter escrito: “God Only Knows”, do Brian Wilson. Mas nossa, uma infinidade de outras músicas também.

Quais são suas principais referências?
MP: Eu tento ouvir muita música brasileira, porque acho que essa é mais a minha onda.

Qual o seu disco nacional preferido?
MP: O Bloco do Eu Sozinho, do Los Hermanos. Já ouvi tantas vezes, reverbera tantas outras coisas mais antigas que gosto.

E o internacional?
MP: A memória é uma coisa injusta e seletiva. Foi dizer o primeiro que lembrei que é o Sea Change, do Beck.

Para você o que a MPB representa?
MP: Acho que foi um nome que criaram para gerar um nacionalismo necessário na época, de valorizar a galera que tava fazendo música nova por aqui. Hoje não sei se faz tanto sentido, porque para mim fica parecendo aquela sessão de locadora de vídeo que se chamava “filmes nacionais”, os gêneros eram: terror, comédia e “filmes nacionais”. MPB hoje é meio isso, um guarda-chuva meio grande de mais, e pruma turma que quer é se molhar.

O que os fãs do Marcelo Perdido podem esperar no futuro?
MP: Não sei se tenho algum fã ainda, digo isso porque não sei nem se vou chegar a ter… Não vejo muito essa característica no meu trabalho. Acho que faço músicas mais simples, a coisa toda é mais simples, e acho que o futuro vai ser por aí: continuando a compor, gravar e lançar minhas músicas mais ou menos dessa maneira, numa boa. Logo teremos a versão do CD em formato físico para quem quiser ter e espero fazer o show desse disco por algumas cidades. :)

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.