O Grilo (Crédito: Dayane Melo)

Com uma boa dose de comicidade, a banda paulistana O Grilo reflete sobre o egocentrismo de dois heróis no clipe de “Herói do Futuro”. A faixa, que dá nome ao primeiro EP do grupo, lançado em 2017, é também a primeira do repertório a ganhar uma produção audiovisual própria, com direção assinada por Fabio Sallva e Rafael Jannarelli.

Formada por Lucas Teixeira (bateria), Gabriel Cavallari (guitarra), Gabriel Xavier (guitarra), Pedro Martins (voz) e André Maya (baixo), a banda produziu o disco Herói do Futuro no estúdio paulistano Family Mob, com direção de Jean Dolabella (ex-Sepultura/Ego Kill Talent) e Hugo Silva.

De lá pra cá, o grupo deu passos certeiros para um promissor início de carreira, como o alcance de 125 mil streams em sete meses, com um público mensal de 4 mil ouvintes no Spotify e a conquista do 4º lugar no ranking nacional do projeto Red Bull Breaktime Sessions. Em abril de 2018, O Grilo também foi destaque do programa Heavy Pero No Mucho (89 Rádio Rock), com o hit “Herói do Futuro”.

Numa entrevista exclusiva para a Tramp, Lucas Teixeira e Gabriel Xavier contam mais detalhes sobre este último ano da banda, o clipe de “Herói do Futuro”, além dos próximos projetos que vem vindo por aí. Confira:

Vamos começar pelo começo: a experiência do primeiro EP ter sido registrado num dos estúdios mais interessantes de São Paulo, o Family Mob. Como foi a experiência de passar por um local como esse e conviver com profissionais experientes como o Jean Dolabella?

OG: A gravação do EP no Family Mob foi uma experiência marcante para toda a banda. Foi um momento de epifania para nós cinco, quando pudemos perceber e descobrir mais sobre quem somos como banda, o estilo musical que gostamos e queremos tocar, além da forma como expressamos as nossas mensagens. Basicamente, nos ajudou muito quanto à nossa identidade, consolidou algo que na época ainda estava muito disperso. Além disso, há de se ressaltar a estrutura do estúdio, que é, provavelmente, um dos melhores do país. Quatro de nós nunca tinha sequer visto uma gravação acontecendo, éramos muito inexperientes. Nesse sentido, gravar o EP em um estúdio desse porte foi também um enorme aprendizado. A sonoridade ficou incrível, todos gostaram do resultado final e isso se deve muito, sem dúvidas, ao trabalho do Jean, que viveu intensamente conosco o processo de produção do EP, agindo quase como um sexto integrante d’O Grilo. Acreditamos que uma ótima qualidade no resultado final não se dá apenas por meio da produção musical, mas também do convívio. Nesse aspecto, o trabalho com o Jean se mostrou muito favorável.

As músicas do EP vieram de onde? Já eram composições antigas de vocês ou foram músicas criadas para este projeto em si? Aliás, como funciona o processo criativo d’O Grilo? Todo mundo pensa junto ou tem um de vocês que traz uma veia maior de compositor?

OG: Das cinco músicas do EP, apenas “Sofia” já existia antes da criação da banda. O Pedro fez a música para a irmã da ex-namorada – que, na época, era criança. Podemos dizer que as outras quatro são pertencentes à primeira leva de composição d’O Grilo. “Serenata Existencialista”, por exemplo, foi a primeira autoral trabalhada por nós, e logo depois vieram “Sambinha” e “Sofia”. No começo, todos os integrantes apresentavam letras e composições, com destaque para o Pedro e o Cavallari, que eram os que mais traziam coisas novas e, por consequência, a maioria de nossas músicas foi algum dos dois quem escreveu. No entanto, vale ressaltar que O Grilo não costuma trabalhar destacando apenas quem escreveu as letras. Nosso processo de composição é bastante horizontal, visto que em todas as músicas há contribuições, principalmente na parte instrumental, de todos os integrantes. Então, por mais que dois de nós tenham uma veia maior de compositor, consideramos que o resultado final é trabalho de todos os integrantes juntos.

O clipe de “Herói do Futuro” é bem divertido, achei que ele traz um ar de sitcom inclusive, uma narrativa cronológica que faz a pessoa entender só de assistir. Como vocês idealizaram esse clipe? O Fernando Muylaert – ator protagonista do clipe – topou de cara?

OG: De fato uma das nossas principais inspirações é esse tipo de comédia cotidiana, narrada e que trabalha bem com arquétipos. O roteiro foi pensado pelo núcleo da banda que trabalha mais com a produção audiovisual (seja em vídeos do Youtube ou no Instagram) e a ideia principal era tratar do heroísmo de forma cínica e cômica, já que gostamos de empregar um tom leve e irônico em alguns assuntos. Já nos primeiros rascunhos o roteiro era semelhante ao que foi posto no trabalho final. Então, o núcleo audiovisual da banda concretizou uma ideia e apresentou para a Sallva Filmes, uma produtora da qual uma amiga nossa trabalhava na época. Eles gostaram bastante, começamos a trabalhar juntos no roteiro e na produção do clipe. Várias ideias foram mudadas ou acrescentadas durante o processo. Em certo ponto, chegamos num consenso de que a imagem do Super Grilo seria importantíssima para contemplar o roteiro do clipe e a partir disso a banda desenhou uma persona ideal para o papel. A Sallva sugeriu o Fernando Muylaert e, por já terem trabalhado juntos antes, o contato foi fácil. Logo de cara o ator gostou muito do roteiro e topou participar do projeto. A banda também considerou que o Fernando é, de fato, a escolha perfeita para interpretar o Super Grilo.

Fernando Muylaert (Créditor: reprodução)

Quais os próximos passos d’O Grilo pra 2018 em termos de lançamentos e shows?

OG: A banda vem num momento de muita correria e trabalho, com vários projetos e shows. De certa forma, acabamos por funcionar de forma muito burocrática nos últimos tempos e por isso queremos tirar um mês sem shows para focar na nossa parte artística, principalmente no que diz respeito a trabalhar em músicas novas. Queremos focar em novas composições e na nossa convivência, para que possamos em breve mudar a estrutura do nosso show e para nos prepararmos melhor para a possível gravação de um disco inteiro no ano que vem. Em termos de lançamento, acabamos de gravar um single com o Jean, que teve a Converse como apoiadora do projeto. Falta a parte de mixagem e masterização da música, que deve acontecer ainda no mês de Setembro, mas ainda não possuímos uma data para ela. É capaz que esse single seja lançado só no ano que vem, porque no momento estamos tirando as ideias do papel para um próximo clipe de uma das músicas do EP, cujo lançamento deve ocorrer no fim de 2018.

Quais as principais referências sonoras da banda, ou melhor, o que cada um anda ouvindo de mais interessante no momento?

OG: A banda possui uma grande consideração pela música brasileira, desde a MPB e o samba até mesmo a Bossa Nova. O Pedro foi um dos integrantes que trouxe bastante essa brasilidade para as nossas músicas, para o modo como compomos nossos sons, já que a sua formação musical se deu justamente com a MPB. De certa forma, isso inspirou os outros quatro a estudarem e conhecerem mais do que a música do nosso país tem a nos oferecer e podemos considerar que, atualmente, esse é uma lado bastante forte na nossa forma de pensar. Já o Cavallari, o Teixeira e o Xavier trazem um lado mais rock para a sonoridade d’O Grilo, desde o indie britânico e o funk rock americano até o rock mais clássico. O Maya, por ser músico profissional há muitos anos, possui diversas referências de vários estilos e gêneros musicais, mas é fato que o seu som é o metal, do qual ele gosta de trazer para alguns detalhes das músicas, como os timbres de baixo mais fortes, além da sua expressão em cima do palco. Ultimamente, a banda tem ouvido bastante funk americano e alguns artistas brasileiros, como Tó Brandileone e Maglore.