O Terno

Crédito: Gal Oppido

Na 32ª entrevista da série, o Tramp trocou uma ideia com O Terno, trio paulista representado pelo vocalista Tim Bernardes, que também conta com Guilherme d’Almeida e Victor Chaves. Na ativa desde 2009, a banda de rock’n’roll lançou em junho de 2012 seu primeiro disco, 66, de forma independente e com as participações de Marcelo Jeneci, Hammond e Dino Vicente.

Com um novo disco a ser lançado em agosto deste ano, o trio divulgou recentemente o clipe de “Tic Tac”, faixa do mais recente EP, Tic Tac – Harmonium, do ano passado, que traz a ilustre participação de Paulo Miklos (Titãs). Assista e leia a nossa conversa:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
OT: Com cada um de nós foi de um jeito. Eu sou filho de músico, então ia nos shows desde bebê e ficava batucando lá no meu canto. Acabaram me botando em uma aula de música com 6 anos e eu num parei mais de ir atrás.

Se vocês não fossem músicos, o que seriam?
OT: Acho que eu não conseguiria ser nenhuma outra coisa.Penso em música o tempo todo…

Compor para você é?
OT: Compor é um negócio que quando rola é incrível. Você ver uma obra, uma canção, pronta e legal na sua frente é o máximo porque há pouco tempo ela não existia e você fez ela existir. Inventar é muito doido e bacana porque você tá livre pra criar pra qualquer lado e mexer com as sensações que essa música pode gerar em você e em outras pessoas.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
OT: Não…. Cada vez é de um jeito, até porque qualquer coisa pode iniciar o processo. Pode ser uma frase de guitarra. Uma frase que você falou e soou bem, um clima, uma sensação… Tiveram músicas que a letra veio antes e depois a música, outras que foi ao contrário. Eu curto ir criando meio junto, uma frase me sugere uma melodia aí essa frase musicada pode sugerir mais um verso e a coisa vai se construindo.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
OT: Puts, eu tenho alguns ídolos que fizeram minha cabeça que eu poderia escolher hahaha… O Steve Winwood, do Spencer Davis Group e do Traffic é um cantor que eu adoraria ser! O Sérgio Dias dos mutantes, tanto guitarrista quando vocalista. Tem muitos! O legal de não ser nenhum deles é que você pode ir misturando essas influências.

Uma música que você queria ter escrito?
OT: “Nina”, do Memórias de Um Caramujo. É uma composição muito doida do nosso amigo André Vac, essa música é foda! Vai lançar no disco novo deles agora em maio!

 

Quais são as suas principais referências?
OT: No Terno a nossa base veio de bandas dos anos 60, como Beatles e Mutantes. O The Who também influênciou a gente num jeito mais porrada de tocar ao vivo. E hoje em dia, a gente tem pirado muito em bandas atuais, que como a gente também têm essas referências dos anos 60 para criar coisas que soem atuais, como o Tame Impala, os Fleet Foxes, Flaming Lips e Black Keys.

Qual o seu disco nacional preferido?
OT: Mutantes, de 1969, o segundo disco deles é brilhante!

E o internacional?
PT: O Pet Sounds, do Beach Boys é lindo também. Difícil escolher só um!

Para vocês o que a MPB representa?
Sinto que cada vez mais esses rótulos tão ficando mais abrangentes e tão querendo dizer menos coisa. Hoje cabe muita coisa absolutamente diferente num rótulo como MPB… Tem gente que pode dizer que O Terno, Rafael Castro, Karina Buhr é MPB e por outro lado da pra dizer que o que toca na Nova Brasil FM é MPB, e pra mim são coisas absolutamente diferentes. Então é isso, é música popular brasileira, mas isso é absurdamente abrangente, então num sei pra que serve o rótulo.

O que os fãs d’O Terno podem esperar no futuro?
OT: Vamos lançar o nosso segundo disco em agosto e estamos bem empolgados. São 12 músicas, sendo que 9 delas nunca tocamos ao vivo, nem mostramos pra ninguém. O disco deu um salto de sonoridade em relação ao primeiro (até porque o primeiro é de 2012, mas estava sendo gravado desde 2010), acho que a gente tá encontrando mais o nosso som. Ele é todo autoral, tá bem eclético… Aguardem!

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.