Sandro (Crédito: Renan Queiróz)

Sandro tem um tipo específico. O “brega-cool”, que a revista GQ Brasil lhe carinhosamente apelidou, serve bem, mas não dá conta. Porque Sandro não é só brega e cool, ele também é rock, é pop, é anos 80 e 90. Tem até um quê de anos 2000. Tudo isso num projeto inédito, lançado por meio de singles-clipes do começo deste ano pra cá. Sandro é do Sul, mas sua música pode ecoar facilmente pelo Brasil a fora, porque Sandro é divertido. Ri de si mesmo ao mesmo tempo que reflete sobre a vida e o futuro, algo que a gente também deveria praticar cada vez mais.

Pra quem não conhece, Sandro é o projeto solo de Sandro Silveira, músico e produtor gaúcho de Gravataí – mas que atualmente vive em São Paulo/SP -, que já teve banda – Frida – e atuou como músico de apoio ou equipe de bandas como Supercombo, Ana Gabriela, Far From Alaska e Francisco, el Hombre. Entre algumas de muitas. Multimídia, Sandro coletou essas experiências todas e num processo pessoal e só criou a linguagem audiovisual de “Dança”, “Sexo Agora” e “Linear”, os três singles-clipes divulgados este ano, cujos vídeos foram dirigidos por Renan Queiróz (Igreja Filmes).

Esses lançamentos futuramente serão parte de um EP, mas por hora são pílulas de talento que Sandro vai revelando pra gente, apostando num bom humor sincero e muita dança pra nos fazer rir – e por que não, chorar também? Em entrevista ao Tramp, o músico nos conta mais sobre a carreira independente, as parcerias da vida e “Linear”, lançamento mais recentes e que traz as participações especiais de Pedro “Toledo” Ramos (Supercombo), Rafael Brasil (Far From Alaska) e Sebastianismos (Francisco, el Hombre).

Sandro (Crédito: Renan Queiróz)

Você é um artista muito ligado e focado no audiovisual – seus três singles até agora vieram com clipes próprios. De onde vem esse formato de lançamentos também em vídeo? É um gosto pessoal ou foi uma preocupação em termos de divulgação mesmo?

S: Isso aconteceu naturalmente, eu dividia casa com o Renan Queiróz, que é o diretor dos meus três clipes, ele é muito meu amigo e sempre embarcou nas minhas ideias malucas. Eu amo videoclipe, sou filhote da MTV e vi nesse meu momento da música uma boa oportunidade de voltar a atuar e me divertir.

Apesar de diferentes entre si, os três singles já divulgados se assemelham na sinceridade bem humorada das letras. Como acontece esse processo criativo de composição seu, agora em carreira solo? São músicas recentes ou tem coisa que estava guardada já faz tempo? 

S: Essas músicas estavam guardadas a dois anos ou mais, eu tive dificuldade de entender o que eu vinha fazendo no começo, queria fazer algo leve, que mostrasse mais a minha personalidade, até que o Sebastian (Francisco, el Hombre) me convenceu a trabalharmos na estética das músicas focado nesse meu lado mais “humorado”. Recrutamos o Manoel Andrade (produtor musical) que fez a coisa tomar forma, depois veio o Leo Ramos (Supercombo) e envenenou na mixagem. Acredito que o fato de trabalhar com a mesma equipe também dá linearidade ao projeto.

Você traz uma experiência musical diversificada, não apenas pelas bandas das quais já fez parte, mas por suas atividades em outras áreas dos bastidores com bandas como FFA, Supercombo, Francisco, el Hombre… Você sente que essas experiências/aprendizados te agregaram de alguma forma na sua carreira solo? Se sim, como?

S: Sem dúvida. Conviver com os principais artistas da minha época, estar nos bastidores e telas com amigos e parceiros me transformou. Eu me espelho neles, aprendo muito e sei o quanto posso contar com eles. Hoje me tornei um artista mais consciente do meu papel na música, passei a entender melhor como funciona a rotina. Tenho muita sorte de estar entre grandes artistas e pessoas que fazem a coisa acontecer no meio da música.

Outra coisa bastante notável no seu projeto é o cuidado com o figurino, tradução quase de um comportamento mesmo. Em “Linear” você credita o trabalho de uma stylish inclusive. Como isso funciona? É algo pensado pro Sandro, ou você se veste assim no dia a dia também?

S: Eu fui stylish em outras vidas…rsrs. Eu gosto de brincar com isso. Adoro misturar coisas mais antigas e bregas com coisas novas, tenho um tesão por essa coisa de comportamento que existe dentro da moda. No clipe de “Linear”, quem me ajudou a compor o figurino foi a Marte (stylish), muita coisa que usamos já tinha no meu guarda-roupa, aí complementamos rodando SP nos brechós mais obscuros do mundo.

Quais suas principais influências sonoras que te moveram a se lançar solo? Não necessariamente que tenham a ver com o som do projeto, mas que te inspiram a construir algo só seu.

S: São muitas as influências, mas Jaloo, Silva, Mahmundi e Biltre eu amo de paixão e são as minhas principais referências na música brasileira atual.

Próximas novidades, agenda… enfim, pode dar umas dicas pros nossos leitores do que ainda veremos/ouviremos de Sandro em 2018?

S: Esse ano ainda teremos mais um single maravilindo pra sair, entre Novembro e Dezembro, e o primeiro show, que deve acontecer fim de Novembro.