Crédito: Pedro Strelkow

Crédito: Pedro Strelkow

Na 38ª entrevista da série, o Tramp conversou com o guitarrista Junior Boca, líder da banda Submarinos, ao lado de Juliana R., Marcelo Cabral, Fernando Catatau, João Leão e Tony Gordin. Formada em 2012, a banda lançou em 2013 o seu primeiro trabalho de estúdio, o disco Pela Mágica Imaginação, que conta os acontecimentos da vida de um homem que sofre com as angústias, melancolias e amores numa metrópole fantástica, sombria e futurista.

Com composições de Junior Boca e parcerias suas com Fernando Catatau, Juliana R., Guizado e Rian Batista, o álbum imprime a sonoridade da banda com texturas psicodélicas e influências de rock e folk. O disco conta também com as participações de Bruno Buarque e Thiago França. Confira:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
JB: Comecei a tocar com uns 15 anos de idade, estudava no Colégio Santo Inácio, em Fortaleza, e lá existia uma sala de ensaios para quem tinha banda na escola. Eu e mais alguns amigos formamos um grupo porque queríamos aprender música, tocar e tudo mais. Eu era o baterista da banda, só depois aprendi a tocar violão e guitarra.

Se você não fosse músico, o que seria?
JB: Acho que seria surfista profissional, peguei onda durante muito tempo mas só free surf mesmo. Nessa mesma época conheci a música e dali pra frente tudo foi para esse lado. Comecei a surfar em Natal (RN) com alguns amigos que se tornaram profissionais, uma galera muito boa mesmo, que competia nos circuitos nacional e internacional. Acho que poderia trabalhar também com fotografia e computação.

Compor para você é?
JB: Um momento de liberdade e, ao mesmo tempo, difícil e desafiador. É sempre surpreendente ver minhas ideias se transformando em música quando toco com a Submarinos. Na maioria das vezes componho minhas coisas sozinho, mas quando nos reunimos para tocar as músicas cada um coloca sua digital ali. Fazer parte de uma banda livre onde todos contribuem para o processo de criação facilita muito, é estimulante criar algo e ter a liberdade de transformar isso junto com os outros. O resultado final é sempre uma surpresa.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
JB: Não tenho nenhum ritual ou método, pra mim não tem muita regra. Às vezes sento pra fazer uma música e nada acontece, às vezes sai mais fácil. O legal é sempre estar a fim de compor, não fazer nada por obrigação. Fica mais sincero e consigo aceitar mais aquilo que crio.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
JB: Acho que não gostaria de ser outro músico, mas existem aqueles que me inspiram muito em tudo que faço: George Harrison, Bob Marley, Miles Davis, Chet Baker, Jimmy Page, Ennio Morricone, George Martin, Jimi Hendrix, Roger Waters e Syd Barrett são alguns desses.

Uma música que você queria ter escrito?
JB: “Don’t Leave Me Now”, do Pink Floyd.

Quais são suas principais referências?
JB: Fora os músicos que citei acima, os Beatles, Pink Floyd, The Smiths e The Cure.

Qual o seu disco nacional preferido?
JB: Cabeça Dinossauro, dos Titãs.

E o internacional?
JB: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

Para você o que a MPB representa?
JB: Representa riqueza musical e diversidade. Quando eu era mais novo ouvia os discos do Caetano, Gil, Fagner, Belchior e achava fantástico. Gosto de muita coisa na MPB e não gosto de outras tantas também, não sou aficionado nem um ouvinte que conhece tudo. Assim como em todo segmento, acredito que na MPB tem muita coisa legal e muita coisa mais ou menos também. Acho que vale a pena prestar atenção em quem está fazendo música brasileira atualmente, muita gente com personalidade colocando seus trabalhos na praça. Infelizmente esses trabalhos novos não chegam na maior parte da população consumidora, ainda existem vários modelos antigos na relação produção/mercado que fazem com que o novo ainda seja dificil de escutar. Acredito também que por causa da internet esse abismo entre o que se é produzido e o que se é ouvido tende a diminuir e talvez daqui a algum tempo poderemos escutar música independente com maior frequência no rádio e na tv. Já acontece bem mais hoje em dia, acho que estamos melhorando nesse sentido.

O que os fãs da Submarinos podem esperar no futuro?
JB: No momento estamos com o nosso disco para divulgar, fazer shows e levar nosso som para as pessoas conhecerem. Estamos também produzindo nosso primeiro clipe, que deverá ser lançado em breve. Mais pra frente pretendemos continuar gravando coisas novas, tenho outras músicas que não entraram nesse disco e que provavelmente entrarão no próximo. Gosto de formar parcerias com amigos, já rolou isso em algumas faixas do Pela Mágica Imaginação e no próximo gostaria de compor com outros chapas que não participaram ainda. 

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.