Tramp entrevista: Curumin


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Na terceira entrevista da série, o Tramp conversa com Luciano Nakata Albuquerque, vulgo Curumin, multi-instrumentista paulistano que já tocou ao lado de gente, como Arnaldo Antunes, Criolo, Paula Lima, Céu, Vanessa da Matta, entre outros, e lançou em 2012 o seu terceiro álbum de estúdio, intitulado Arrocha, disco que sucede os já elogiados Achados e Perdidos, de 2003, e JapanPopShow , de 2008.

O cantor também acaba de lançar o clipe oficial da música “Afoxoque”, composta em parceria com o MC baiano Russo Passapusso e que conta com as animações, roteiro, desenhos e direção de Vinicius Sanchez “O Vico”.

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
C: Como assim (risos)? A gente está permeado de música desde que nasce. Quer dizer, até antes disso né? Da barriga a gente já saca a música. Já o meu primeiro contato com os instrumentos e com o que seria meu lance mais tarde, acho que foi na escola com uns 7 ou 8 anos. Um colega da classe tocava violão e eu fiquei louco! Queria aprender de qualquer jeito também.

Se você não fosse músico, o que seria?
C: Eu seria nada.

Compor para você é?
C: É como um relâmpago que vem do nada e solta faíscas que põe fogo em tudo ao redor. Por isso que quando vem, tem que dar um jeito de cuidar daquilo, de manter aquela chama, de registrar de alguma forma. Porque do mesmo jeito que vem, vai.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
C: Compor é um processo de exploração interno, de você mesmo, e externo, do que se passa nas cabeças e corações das pessoas ao seu redor. E claro, com muita pesquisa também, ler livro, ouvir disco, ver filme, tudo isso faz parte de compor.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
C: Queria ser o Stevie Wonder.

Uma música que você queria ter escrito? 
C: Gostaria de ter feito a música “Passarinho”, do Russo Passapusso, que eu gravei no meu último disco.

Quais são suas principais referências?
C: Como bom baterista, o ritmo me atrai. Gosto de música que faz você se mexer. Então os reis do balanço são a minha referência: Sly Stone, Curtis Mayfield, De La Soul, Bob Marley, Roots Radics, Sly and Robbie, Jackson do Pandeiro, Tim Maia, Jorge Ben, Hyldon, Cassiano, Novos Baianos e por ai vai.

Qual o seu disco nacional preferido?
C: Hum… difícil essa pergunta. Atualmente, eu gosto muito do Clube da Esquina, do Milton Nascimento & Lô Borges.

E o internacional?
C: Curtis, do Curtis Mayfield é o preferido do momento.

Para você o que a MPB representa?
C: É difícil essa sigla. Porque na verdade, não é exatamente popular, né? Mas, enfim, quando se fala MPB, vem na cabeça de todo mundo um tipo de música, que eu, particularmente, adoro, como Jards, Melodia, Djavan, Caetano, Chico, Gal, Gil, João Bosco, Mautner, Itamar, entre outros. Para mim representa um dos pilares da cultura brasileira.

O que os fãs de Curumin podem esperar no futuro?
C: Ainda é uma ideia muito inicial, mas estava pensando em fazer um disco só com música de outros compositores. E também tenho pensado muito em parceiros que eu gostaria de trabalhar para tocar junto, cantar e produzir. Enfim, não sei direito, mas pode ser que uma próxima produção seja feita a muitas mãos. Vamos vê.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.

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