Tramp entrevista: Liège


Liège (Crédito: divulgação)

De voz doce e firme, Liège é alguém pra se prestar atenção. A cantora paraense já está na música faz um tempinho, mas foi com seu EP Filho de Gal, de 2016, que ela despontou com tudo, levando seu show para os Estados Unidos e passeando também pelo Brasil, saindo da capital Belém para visitar algumas cidades do interior paulista.

E é justamente para o interior paulista que Liège retornou neste início de 2019 a fim de iniciar as gravações de seu primeiro disco cheio, mais especificamente na cidade de Campinas, onde fica o Groove Arts Studio, do produtor e DJ Duh (Emicida, Zeca Baleiro, Tulipa Ruiz, entre outros).

“Desde Setembro do ano passado começamos a conversar e trocar referências musicais e agora, em 2019, assinamos o contrato para produção musical do disco”, revela Liège sobre sua parceria com o DJ Duh, que ela conheceu por intermédio de uma amiga em comum.

Em entrevista ao Tramp, Liège deu mais detalhes sobre este projeto que vem vindo aí, o trabalho com Duh e outras novidades. Leia o papo completo abaixo:

DJ Duh é um nome bem conhecido e requisitado da cena rap e que agora parece estar explorando novos ares com essa sua sonoridade mais pra MPB eletrônica. Como se deu esse encontro entre vocês? Foi sintonia à primeira ouvida?

L: Eu tava há um ano estudando estratégias pra expandir minha carreira musical nacionalmente e já tinha passado por uma consultoria de marca em Porto Alegre. Voltei de lá pra São Paulo com a missão de encontrar um produtor com nome de peso, que tivesse sintonia com meu trabalho e levantamos alguns nomes. Fizemos várias entrevistas legais com produtores maravilhosos e no último dia de estadia em SP uma amiga ligou e disse que queria me apresentar um produtor incrível, que produzia pro Emicida, mas que tava a fim de expandir sua área de atuação pra fora do rap com novas cantoras. Almoçamos, nos conhecemos e começamos a conversar pela web, porque eu ainda moro em Belém e vivo na ponte aérea. Eu que sou fã do Emicida, já fiquei emocionadíssima com a possibilidade de trabalhar com alguém que atua com ele e produziu músicas que realmente tocam a minha alma e que são uma inovação no rap, com inserção de elementos sonoros brasileiros muito bem pensados. Aí quando o conheci, o santo bateu, as ideias também e foi um baita ‘sim’ do universo. Assinamos contrato depois do nosso primeiro encontro e estamos fazendo um belo trabalho juntos.

DJ Duh e Liège (Crédito: Paulo Victor Squires)

No comunicado de imprensa você indica que o Jamelão também integra este seu novo projeto. Qual a colaboração dele nesta gravação e como tem sido essa troca com ele? É a primeira vez que você trabalha com eles dois, certo?

L: Jamelão veio através dessa conexão com o Duh, foi indicação dele. O conheci no mesmo dia e no mesmo almoço com o Duh. Me encantei com a história de vida e fui conhecer a música dele e também me encantei. É um excelente cantor e compositor e tivemos uma conexão muito natural. Quando o Duh o sugeriu pra dirigir as vozes do disco, eu apostei na hora. Ele tá trazendo uma expansão de linhas vocais, ideias de melodias, me dá aulas de canto, porque também é professor e já temos uma composição juntos. Tudo fluiu assim linda e naturalmente.

Destes primeiros encontros e gravações que rolaram em Campinas, o que você já pode adiantar pra gente em termos de sonoridade e conceito deste novo trabalho? Seguirá a linha dos seus lançamentos anteriores ou teremos uma mudança de ares por aí?

L: Temos novidades sim! Duh está trazendo comigo para esse trabalho um resgate da minha ancestralidade e fazendo uma conexão com o que temos de atual no pop e world music. Eu sou afro-amazônica e há uma pluralidade linda nisso, sonora, estética e histórica. Meu sotaque também é muito presente e a experiência do Duh faz com que passado e presente estejam muito bem alinhados ritmicamente nas músicas.

Este novo disco será completamente gravado em SP ou você planeja realizar parte do projeto também em Belém?

L: Eu planejo gravar em Belém e em São Paulo. A tecnologia nos permite isso e vamos aproveitar, pois tenho parceiros em Belém que também quero que estejam presentes neste trabalho.

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