Leza (Crédito: Lucci Antunes)

Certa vez, o poeta mandou um papo reto:

Parada Cardíaca

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Meio assim, sentindo tudo aos poucos, tipo Paulo Leminski, a banda paulista Leza cria um paralelo interessante ao poema por meio de seu mais novo videoclipe, “Religare”. Psicodélico e sensorial, o som do grupo é traduzido visualmente sob a direção de Thomas Henne, que encontrou nas ruas da cidade de São Paulo seu principal espaço narrativo.

“Religare” é uma ode aos sonhos reprimidos da liberdade e o potencial de imaginação que eles geram dentro de cada pessoa e a Leza utiliza do cotidiano como sua principal toada, poetizando a letra sobre situações comuns na vida de uma grande cidade, como o caminhar pelas ruas ou aquela divagação particular em meio a um metrô lotado.

“O próprio nome da música traz isso, de se religar consigo mesmo”, completa o guitarrista e vocalista Gustavo Athayde.  “A gente se inspirou na ideia de equilíbrio que virá ao longo do novo disco. A música como um ponto de encontro entre os dois personagens principais: o profissional corporativo, já exausto dessa vida e o outro, possivelmente um artista, acordando de uma ressaca. Eles se encontram no show e ali se religam, individual e coletivamente”, explica.

Outro trunfo em “Religare” é a presença de cores e sombras específicas para cada personagem: azul para o papel interpretado por Athayde, rosa para a figura vivida pelo também vocalista e guitarrista Gallo, que completa a linha de frente da Leza. A mix e master de “Religare” foi realizada pelo músico Pedro SerapicosAo final, quando ambos se encontram para tocar juntos, as luzes se fundem e criam um ambiente soturno.

“Essa atmosfera identifica em qual metade do álbum Vice-Versa essa música estará inserida e, ao mesmo tempo, serve como uma vertigem: no final, Religare não passa de um sonho”, reflete Athayde. Assista ao clipe abaixo: